quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Renato Borghetti


Poucos sabem que Renato Borghetti é hoje um dos artistas brasileiros de mais solida carreira internacional. De 2003 a 2006 , chegou a fazer duas, três e até quatro turnês anuais.

Borghetti e seu grupo estrearam no Festival de Verão de Bolonha a turnê européia de 2007, que durante quase um mês percorre outras sete cidades italianas, passando ainda por festivais na Croácia, Republica Tcheca, Áustria e Alemanha. Na Áustria, onde se apresenta regularmente desde 2000, Renato se sente em casa, pois não há cidade em que não tenha tocado.

“Lá tenho até um fã clube, as pessoas vão a tudo que é show, saem de Viena para assistir em cidades do interior e vice-versa, sempre lotando os lugares”, conta. Este ano, o mano e empresário Marcos Borghetti marcou só uma temporada européia para poder atender a compromissos no Brasil e finalizar o segundo DVD, Fandango, com show de lançamento previsto para outubro, no Teatro do Bourbon Country.

No verão europeu, as apresentações são na maioria ao ar livre, para milhares de pessoas; mas também teatros, clubes de jazz, casas noturnas e centros culturais daqueles países e da França, Portugal, Hungria, Holanda, Eslovênia, Bélgica, Suíça tem programado a musica do gaucho. Para os que gostam de rótulos e classificações (como os jornalistas), o instrumental, o instrumental de Borghetti costuma entrar nos arquivos de etnomusic, world music, jazz fusion. Mesmo tendo na essência ritmos como vanerão, chote, milonga e chamamé, não causa nenhum estranhamento. Até pelo contrario : “ A sonoridade do acordeon é familiar para o público europeu, e como partimos de nossas raízes para uma música mais elaborada, uma coisa mais jazzística, a aceitação é total. São normalmente shows longos, não saímos sem fazer três a quatro bis, temos que voltar para o palco sem os instrumentos, se não nos pedem para tocar mais”.

As formações do grupo alternam quartetos, quintetos e sextetos. Na turnê européia deste ano, atua o quarteto, com Daniel Sá nos violões, Pedrinho Figueiredo na flauta e sax e Vitor Peixoto nos teclados. Em outras circunstancias, entram Hilton Vaccari, (violão ritmo), Ricardo Baumgarten (baixo), Caco Pacheco (percussão) e Marquinhos Fê (bateria). É uma turma que se entende as mil maravilhas, cevada em estradas, aeroportos, palcos, bares e hectolitros de mate e cerveja na Fazenda do Pontal. A sala de grandes janelas da casa de campo dos Borghetti, à beira do Guaíba, em Barra do Ribeiro, foi transformada em estúdio de gravação para o DVD, que vai mostrar um Renato em meio a paisagens do Rio Grande, contando sua história desde o inicio, surpreendentemente falante. Se forem ouvidos no DVD sons de chuva e vaca mugindo, é porque ele faz justiça à natureza, em meio à qual foi criado.

“Não vamos limpar nada”, garante. Os 22 discos anteriores do gaiteiro foram feitos em estúdios urbanos. Desta vez, ele resolveu fazer o caminho inverso, levando para o ambiente rural a mais moderna tecnologia. Com direção do bamba Rene Goya Filho, o DVD é o primeiro produzido no Rio Grande do Sul no formato HD (High Definition).

Na Europa, o disco Fandango será lançado em 2008, durante a grande turnê em que Borghetti comemorará 10 anos de shows no continente. Suas primeiras apresentações foram em 1998, em Portugal e na França. Já a primeira viagem internacional foi em 1990, para shows no S.O.B.´s, de Nova York. Em 1995, estreou no Uruguai e na Argentina. Em 1999, voltou a França. No ano seguinte, de novo Portugal, França e o inicio do idílio com o público austríaco. A partir daí, dezenas de carimbos de passaporte: Viena, Innsbruck, Linz, Paris, Toulon, Berlin, Munique, Bremen, Budapeste, Lisboa, Praga, Florença, Padova, Lubliana, etc... Nos EUA foram duas vezes em 2006, uma delas no Festival do Acordeon de San Antonio, no Texas.
Borghetti é cada vez mais atração internacional também em festivais do instrumento, ao lado de estrelas como o italiano Ricardo Tesi, o irlandês Martin O´Connor, o português Artur Fernandes, o espanhol Kepa Junqueira. Um deles, talvez dois, poderá vir ao Brasil, em 2009, para participar das comemorações dos 25 anos de lançamento da estréia em LP de Renato, com aquele álbum que, vendendo mais de 100 mil cópias, ganhou o primeiro disco de ouro da musica instrumental brasileira.
No vídeo a participação com a Orquestra Sinfônica da Unisinos no Teatro São Pedro.


Os Mateadores


O grupo musical foi fundado em 1980, na hoje cidade de Nova Esperança do Sul - RS com nome de OS CORINGAS DO RIO GRANDE, que com o tempo ficou conhecido apenas como OS CORINGAS. Em outubro do ano de 1985, o nome então foi alterado para OS MATEADORES.
No decorrer da carreira OS MATEADORES, tornaram-se conhecidos, por adotar um estilo próprio em animação de fandangos, shows, festas, rodeios e outros.
A marca do conjunto ganhou força através do trabalho serio e de músicos de alto nível, que atuam juntos há vários anos, o que solidifica cada vez mais a união do grupo, gerando segurança para os clientes da empresa os mateadores.
Esse estilo de trabalho colocou o conjunto por varias vezes como animador de grandes eventos em todo o Brasil, o que podemos exemplificar com o Rodeio Internacional da Vacaria – Vacaria - RS, a Semana Crioula Internacional de Bagé-RS, o Rodeio Crioulo Internacional de Osório - RS, a Gauderiada da Canção de Rosário do Sul - RS, o Festival da Música Crioula de Santiago - RS, Eventos Estaduais do MTG - Baile Oficial da Escolha do Peão e do Guri Farroupilha 2002/2003; a Festa Nacional do Pinhão – Lages - SC, o Rodeio Internacional do CTG Os Praianos – São José – SC, Fiesta de La Pátria Gaúcha – Taquarembó (Uruguai), Baile oficial do 12° Rodeio Nacional dos Campeões – Santiago – RS, promovido pela CBTG, entre outros pelo país a fora.
Ao longo destes anos OS MATEADORES fizeram da estrada uma fiel companheira e já percorreram grande parte do país sempre levando a musica e o estilo fandangueiro do conjunto, tendo uma forte atuação nos estados do Rio Grande Do Sul, Santa Catarina e Paraná, e também com passagens periódicas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso Do Sul e Minas Gerais.
Atualmente o grupo é composto pelos seguintes músicos: HUMBERTO FRIZZO (BETO), EDSON VARGAS, CLÓVIS D. DA SILVA (MOLINHA), JADER AITON ANDRADES, ADILSON GUIMARAES, CRISTIANO DA SILVA (KOTOCO), LEANDRO CHAVES, JEFERSON BRAZ "MADRUGA", E LUCIANO GUARISE , possuindo ainda mais quatro integrantes na parte técnica e três pessoas na administração.
O grupo os MATEADORES, possui uma discografia composta por treze trabalhos gravados e mais duas coletâneas dos grandes sucessos. No mês de Julho/07 foi lançado o Primeiro DVD, com o título “O CANTO DOS MATEADORES”, Onde estão registrados os maiores sucessos do grupo ao longo dos mais de vinte anos, num show gravado na cidade de Santiago – RS. Desde o ano de 1988 OS MATEADORES fazem parte do cast da Gravadora Acit.

César Oliveira e Rogério Melo


Mais que amigos, dois irmãos, duas almas que se encontraram através da cultura gaúcha e do amor a tradição, essa dupla é a maior instância da atualidade quando se fala em música campeira, são eles César Oliveira e Rogério Melo. Conheça um pouco desses dois ícones da nossa cultura, que orgulharam o rio grande com o trabalho Pátria Pampa.

César Oliveira

Um filho da fronteira, César Oliveira, o caçula dentre três irmãos, nasceu em 8 de dezembro de 1969 em Itaqui, cidade gaúcha que faz divisa com a Argentina. Porém, foi em São Gabriel, para onde mudou-se aos dois anos e meio de idade, que viveu as melhores lembranças da infância e adolescência e onde iniciou a formação escolar e cultural, esta desenvolvida em CTGs.
César saiu aos seus. Assim como os pais Antônio e Terezinha que formavam uma dupla e participavam de "Programas de rádio" ou "Programas de auditório", nasceu para cantar. Por influencia deles, cresceu escutando diversos ritmos e elegeu os de folclore, que retratam os costumes de um povo, como os preferidos. É grande apreciador de Chacareras, Polcas, Chamarras, Vaneiras, Rancheiras, Tangos

Rogério Melo

Em 18 de maio de 1976, na cidade gaúcha de São Gabriel, nascia Rogério de Azambuja Melo, filho de Dalmir dos Santos Melo e Maria Inês de Azambuja Melo.Desde pequeno, Rogério demonstrava tendência e apreço a arte folclórica, a música e a cidade que lhe acolheu na infância e juventude e que até hoje representa um regresso a boas lembranças do passado. Foi ainda em São Gabriel que descobriu a música em suas variadas formas - prática, ritmo e expressão corporal. Aos 10 anos começou a tocar violão e ingressou na invernada do CTG Caiboaté. Já adolescente, em 1992, mudou-se da fronteira-oeste para o litoral. Deixou por algum tempo a amada São Gabriel e foi para Capão da Canoa, cidade não menos importante na formação de sua carreira. Foi lá, freqüentando o CTG João Sobrinho, que conheceu os amigos Coca, Sílvio, Valesco e o cantor e compositor Chico Saga, os responsáveis por sua iniciação no canto. No mesmo ano, complementando a ligação com a música, Rogério ganhou do pai o primeiro violão.

Murilo Vaz

Murilo Vaz desde os 11 anos de idade traz a cultura gaúcha como um lema de vida retratada nas letras e nas melodias de suas composições. Murilo não dispensa um bom chimarrão nos finais de tarde, um papo com os amigos de infância sempre acompanhado do violão e não precisa muito tempo pra fazer chorar as cordas do companhiero. Murilo conta que foi na companhia de alguns destes amigos que a paixão pelo tradicionalismo começou a surgir.
Logo montaram um grupo e começaram a tocar em festas e eventos, com ele no vocal e violão e os amigos formando o resto do conjunto. A explosão de outros ritmos como o tchê music como ficou conhecido o ritmo mais maxixeiro dos grupos fez com que Mrurilo e seus amigos desistissem de seguir em frente pois a preferência de todos era pela musica mais tradicional.
Murilo passou então a se dedicar a tocar seu violão e aprimorar suas composições juntamente com o amigo Paulo Moreira que faz as letras, as quais Murilo coloca a melodia.
A tradição gaúcha é para ser mantida, cultivada de acordo com o que nossos ancestrais ensinaram e estipularam. Porém há uma diversidade muito grande de estilos, e um CTG precisa honrar a tradição inclusive da indumentária que é um dos ícones da cultura do povo gaúcho. Murilo concorda com esta afirmação e também acha que as pessoas devem procurar ambientes de acordo com o seu estilo.



Murilo não esconde a preferência pelo nativismo que fica evidente quando ouvimos o músico interpretando uma de suas mais conhecidas canções, Romance de Barranca e Rio, de composição em conjunto com Paulo Moreira e musicada por ele. Assista ao vídeo e comprove o nativismo de Murilo Vaz.

Movimento Tradicionalista Gaúcho - MTG




Era 28 de outubro de 1966, estava criado o Movimento Tradicionalista Gaúcho-MTG e seu estatuto. A criação do MTG foi a realização do anseio e da culminância do trabalho de muitos tradicionalistas. O MTG hoje é o órgão catalisador, disciplinador, orientador das atividades dos seus filiados, especialmente no que diz respeito ao preconizado em sua Carta de Princípios.
É a união das diferentes gerações . É a entidade associativa, que congrega mais de 1400 Entidades Tradicionalistas, legalmente constituídas, conhecidas por Centro de Tradições Gaúchas ou outras denominações, que as identifiquem com a finalidade a que se propõe, que são as “entidades a fins”. As Entidades Tradicionalistas filiadas ao MTG estão distribuídas nas 30 Regiões Tradicionalistas, as quais agrupam os municípios do Rio Grande do Sul. É um movimento cívico, cultural e associativo.Sua sede é própria e está instalada à rua Guilherme Schell, n.º 60, no Bairro Santo Antônio, em Porto Alegre, tendo sido inaugurada no mês de dezembro de 1998.
O MTG é uma sociedade civil sem fins lucrativos, dedica-se à preservação, resgate e desenvolvimento da cultura gaúcha, por entender que o tradicionalismo é um organismo social de natureza nativista, cívica, cultural, literária, artística e folclórica, conforme descreve simbolicamente o Brasão de Armas do MTG, com as sete ( 7 ) folhas do broto, que nasce do tronco do passado.

Sua administração constitui-se atualmente por Conselheiros Efetivos e por Conselheiros Suplentes, os quais compõem o Conselho Diretor, pelas trinta Coordenadorias Regionais e por Conselheiros da Junta Fiscal, sem qualquer remuneração. Todos dedicam- se graciosamente para que o MTG tenha condições de atingir seus objetivos, que estão pautados no “Congregar os Centros de Tradições Gaúchas e entidades a fins, e preservar o núcleo da formação gaúcha, cuja filosofia decorrente da sua Carta de Princípios do MTG”.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Cavalos






“... só quem teve um cavalo conhece lida gaúcha...”, como diz neste trecho da música Pé no Estribo, do grupo Quero-Quero, para conhecer a lida do campo, sentir na pele o que é ser um peão que traz no peito e na alma a essência do campeirismo só ao lado, ou melhor, em cima de um cavalo. Muitos desse peões tratam o seu animal como se fosse um ser humano, e mais, como se fosse um membro da própria família. O homem que trabalho no campo cuidando de uma tropa de gado ou fazendo a vez de sentinela de alguma fazenda é muito solitário. Ele procura substituir as pessoas que gosta transferindo o sentimento para o cavalo, fazendo dele mais que um companheiro. O cavalo se torna um amigo inseparável até por haver um costume de que não se troca o cavalo, ele permanece com o mesmo animal até que ele morra de velho ou que seja vendido. Quando o peão perde um cavalo que por acidente precisa ser sacrificado ou adoece e não se recupera, a dor que sente é côo se perde-se um membro da família e depois não é fácil se adaptar a um novo amigo.
O cavalo é usado também na ecoterapia por ser considerado um animal dócil e de confiança quando adestrado, ajudando pessoas com deficiências físicas ou psicológicas a se recuperar.

Jayme Caetano Braun


A payada é uma forma poética nascida na campanha argentina e uruguaia em meados do século passado, em geral um repente em décima (estrofe de 10 versos), de redondilha maior (verso de sete sílabas) e rima entrelaçada (todos os versos rimam entre si, alternadamente).
As raízes da payada remontam aos romances e quadras medievais e renascentistas, de temática popular, trazidos pelos povoadores espanhóis do território platino. O contato com o linguajar e com o dia-a-dia da vida campeira, porém, adaptou essas expressões à realidade da campanha.
O payador surge então como um artista errante que leva aos mais distantes rincões informação e entretenimento, por meio do relato de improviso dos acontecimentos da Capital (Buenos Aires ou Montevidéu). Acompanhando-se ao violão no embalar de uma milonga ou solito, sem instrumento, o payador era uma figura respeitadíssima – há relatos de que mesmo em campos de batalha o primeiro mate era dele, atropelando a hierarquia militar.
A mais célebre payada literária é o poema épico em sextilhas Martín Fierro (1872), escrito pelo argentino José Hernández. Ainda hoje a payada é uma expressão cultural forte na Argentina e no Uruguai, com nomes como o uruguaio Gustavo Villón e os argentinos José Larraude e Argentino Luna.
A payada, no entanto, não vingou no Rio Grande do Sul. Poucos poetas e cantadores daqui seguiram a tradição, e muitos pesquisadores apontam Jayme Caetano Braun como sendo o único payador autêntico brasileiro, capaz de payar em espanhol e enfrentar em payadas de desafio os mestres platinos, como o legendário uruguaio Sandálio Santos – que dizem ter sido o "professor" de paya de Jayme. (por Roger Lerina)